sexta-feira, 17 de abril de 2009

A Ferocidade implacável de Plínio Marcos


Plínio Marcos continua feroz. Seus personagens exalam fogo das ventas e dos corpos e isto os constituem em personagens de uma história a que podemos chamar de Brasis.

O Poeta da Marginália nunca fez concessões a ninguém. Nunca puxou o saco dos poderosos, nem iludiu o público que via suas peças. Ao contrário, foi voraz até a raiz. No santo insight das obras como Querô, uma Reportagem Maldita, onde um garoto, um pivete, mata e é morto, ele conseguiu um realismo de forte conotação expressionista, até.

Plínio era um artista de respostas paradoxais dentro da vida veloz e inumana dos subúrbios, ou mesmo das grandes cidades desumanas, nesta vida que escolheu, ao lado daqueles que ele quis retratar e que assim escolheu e acolheu. Mesmo exasperado produziu para que a sociedade visse nas classes baixas a relação íntima do poder do mais forte contra os mais fracos.

O poder, na mitopoética pliniana, corrompe, e longe das esferas oficiais, é povoado por aqueles que o detém: cafetões, policiais corruptos, presidiários, donos de bordéis. Ao mesmo tempo declara suas vítimas, os consumidos pela sociedade: as prostitutas e os marginalizados, os artistas, os loucos.
Ele, Plínio, nunca teve uma intenção de saudar o Poder. Poder fede, é fedido. Fedido, fedido, fedido. Como ele explicita na peça Navalha na Carne, na qual a prostituta exasperada repete a sua ladainha à exaustão, por mais um dia de vilipendios.

Este Poder opressor se acha encravado no dedo do pé de um Brasil adormecido e adocicado. Um Brasil de passados gloriosos, enquanto seu presente é a violência que manda. No poder trágico que ilumina quando queremos explicar a cor de nossas entranhas, de nossa sociedade verdadeira. Plínio é um Nelson Rodrigues às avessas, louco por uma escapada na periferia para contar o fim trágico daqueles que vemos assassinados no jornal da noite. Um artista que remete à precisão escatológica e que nos faz digerir bílis em vez de mel.

Um gênio do teatro da real crueza. Das coisas altas e baixas que vira e meche se escondem do leitor médio, das classes A e B. Da vida que é abandono e solidão na espera de que algo pior pode vir.

Como no poema de Drummond nos perguntamos, ao avistar o universo ricamente dos Dois Perdidos Numa Noite Suja e seus becos sem saídas: “ E agora, José?/ José, para onde?...”



Texto: Nestor Lampros

terça-feira, 14 de abril de 2009

Teatro da Vertigem



Olá, nessa postagem vocês poderão conhecer um pouco mais do trabalho do Teatro da Vertigem, que teve início em 1991 com experimentações baseadas na Mecânica Clássica e aplicadas ao movimento expressivo do ator. Tal pesquisa gerou um repertório de treinamento que foi concretizado estética e artisticamente com O Paraíso Perdido - primeiro espetáculo da companhia - que estreou um ano após o início das pesquisas na Igreja Santa Ifigênia em São Paulo e permaneceu em cartaz por oito meses consecutivos. Sempre em cenários reais como prisões e hospitais o teatro da vertigem apresenta espetáculos de tirar o fôlego com a excelente e premiadissima direção de Antônio Araújo. Além do Paraíso Perdio a Companhia ainda fez muito sucesso com O Livro de Jó, Apocalipse 1,11, BR-3 entre outros processos e experimentações que vieram e ainda estão por vir. Nesse vídeo poderemos ver um pouco do processo da escolha do local até cenas de espetáculo editadas nesse trecho do documentário "Vertigem - Palcos da Trilogia".

www.teatrodavertigem.com.br

domingo, 12 de abril de 2009

4° Curta Atibaia abre suas inscrições.


Olá galera, o Hojerizando gostaria de avisar a todos que teem uma idéia na cabeça e uma câmera na mão e residem em Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Bragança Paulista, Jarinú, Joanópolis, Mairiporã, Nazaré Paulista e Piracaia a participarem do festtival de curtas-metragem que será realizado em Outubro, mas as inscrições já estão abertas para você mandar o seu material, até o dia 26 de Setembro de 2009.


Confira a Premiação:

Melhor Vídeo do Festival Curta Atibaia – R$ 5.000,00 ( cinco mil reais )

O filme premiado, será classificado para a Mostra Competitiva do Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual - 2010.

Prêmio Tizuka Yamazaki – R$ 1.500,00 ( mil e quinhentos reais )

Prêmio André Carneiro – R$ 1.500,00 ( mil e quinhentos reais )

Prêmio Euclides Sandoval – R$ 1.500,00 ( mil e quinhentos reais )


As inscrições são gratuitas e você pode ter maiores informações pelos Contatos:

Secretaria de Cultura e Eventos
Av. da Saudade 252/ Centro
Atibaia – SP – Cep 12940-560
Fone / Fax: 11 – 4414 2119
e-mail: caiobrasil.cultura@atibaia.sp.gov.br
Home Page: http://www.atibaia.sp.gov.br/cultura

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Consequências

Bom dia à todos.
Deixo pra vocês nessa manhã de quinta feira o primeiro curta-metragem da Cia de Teatro Hojerizah junto à FB Filmes de Fernando Bezerra. Com destque nas atuações de Mariana Bontempo, Nestor Lampros, Wellington Durán e Tatyana Figueiredo. Bom filme à todos!








Contato: (11) 8536-6797 (Durán)
wellington.duran@hotmail.com
ivan_stripes@hotmail.com

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Espetáculos Premiados!!!





"1/4 de Plínio Marcos"

Espetáculo concebido junto à oficinas com o Teatro da Vertigem, venceu diversos prêmios em festivais de teatro, inclusive de melhor espetáculo do Festival de Teatro da Cidade de Carapicuíba, competindo com grupos de Osasco e da Capital. Última apresentação na sessão maldita do primeiro Festibaia, levando mais de 200 pessoas da cidade ao teatro numa sexta feira às 23:30.






"Veritas - O Vale da Penitência"

Espetáculo que ficou 5 anos em cartaz com a Cia. de Teatro Hojerizah se apresentando pela capital e região, levando o clima denso dos anos de chumbo do Brasil à festivais e mostras. Espetáculo também vencedor de melhor espetáculo em festivais de teatro pela capital e região.




D16 - Poemas Amargos

Aí vai um trecho do espetáculo que a Cia. de Teatro Hojerizah está preparando para trazer aos palcos, algo baseado em Artaud e o Teatro da Crueldade, o texto é de Nestor Lampos, artísta plástico, dramaturgo e Ator da Cia. de Teatro Hojerizah.

...
Final da visita:
A enfermeira deu-me um tapinha nas costas
E eu queria amassar o seu crânio de merda.
Ela sorriu com um sorriso de todos,
E eu por dentro chorava o lamento de todos.

Minha mãe trouxe-me o café que havia feito,
Fé com café é muito para o pobre escravo das paredes brancas,
Mas não se aflijam, vocês que me ouvem.
Tomem seu cafezinho e me comprem a liberdade
Nos meus livros...

Em breve nos palcos de Atibaia.
Informações:
8536-6797 (Durán)
wellington.duran@hotmail.com
ivan_stripes@hotmail.com

Bem vindos ao Hojerizando

Nessa primeira postagem irei de cara deixar um vídeo que mostra um pouco do que a Cia está estudando atualmente e colhendo material para nossas próximas montagens. Esse vídeo é um trexo de Akropolis de Grotowski.



Assistam é um espetáculo hipnótico e uma aula de expressão corporal e vocal como elemento principal desse maravilhoso teatro de Grotowski.
Deixem cometários para podermos debater sobre o vídeo. Divirtam-se.